1# SEES 29.10.14

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  CHOQUE DE REALIDADE
     1#3 ENTREVISTA  LUIGI ZINGALES  CAPITALISMO  PARA O POVO
     1#4 MALSON DA NBREGA  ELUSIONISMO ELEITORAL
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA

1#1 VEJA.COM

2 TURNO EM TEMPO REAL
Os brasileiros voltam s urnas neste domingo para eleger o prximo presidente e catorze governadores. Com reprteres espalhados pelo pas, o site de VEJA acompanha a votao nos principais colgios eleitorais, a apurao em tempo real e a divulgao dos resultados do segundo turno. Em TVeja, Joice Hasselmann apresenta e analisa as principais notcias em parceria com colunistas da revista e do site. Um infogrfico do site de VEJA mostra a trajetria da presidente e candidata  reeleio, a petista Dilma Rousseff, e de seu rival tucano, Acio Neves, mineiros nascidos na mesma Belo Horizonte. O leitor poder conhecer as origens, as histrias de infncia, os tempos de escola e a carreira poltica de cada um at a reta final da campanha. H tambm imagens de seus lbuns de famlia e registros histricos. A reportagem inclui depoimentos em vdeo de amigos, parentes e aliados dos dois candidatos. 

A CHAVE PARA A PRODUTIVIDADE
O Brasil que emergir das eleies tem um imperativo: ganhar produtividade. Nos ltimos quatro anos, o governo no conseguiu solucionar graves problemas da economia brasileira, como a alta e complexa carga tributria, e infraestrutura falha e a escassez de mo de obra qualificada  e, em alguns aspectos, ainda piorou o  ambiente de negcios, lanando mo de uma poltica intervencionista para diversos setores. Como resultado, o pas acumulou, entre 2011 e 2013, trs anos de desempenho negativo no indicador de produtividade do centro de pesquisas The Conference Board. Especialistas apontam ao site de VEJA os passos necessrios para reverter esse quadro. 

LOUCURA ANIMAL
Em 2002, o co da biloga americana Laurel Braitman se jogou da janela do 4 andar do prdio onde viviam. Para entender essa atitude suicida, Laurel escreveu o livro Animal Madness (A Loucura Animal), recm-lanado nos Estados Unidos. "Identificar e entender a insanidade animal diz muito sobre ns. Quando estamos ansiosos, raivosos ou compulsivos, mostramos quanto somos surpreendentemente iguais a outras criaturas", diz Laurel, que tambm  especialista em histria da cincia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em entrevista ao site de VEJA, a autora conta como foi sua jornada para desvendar a demncia dos bichos e de que forma elefantes com ataques de ansiedade e ursos depressivos mudaram sua viso tambm a respeito dos humanos. A reportagem traz ainda uma lista com os episdios mais famosos de loucura animal da histria.


1#2 CARTA AO LEITOR  CHOQUE DE REALIDADE
     Em sua edio de 10 de setembro, VEJA escreveu na Carta ao Leitor: "O governo de Dilma Rousseff pode estar na iminncia de enfrentar um escndalo de propores semelhantes s do mensalo". Comeavam naquela semana os depoimentos  Polcia Federal e ao Ministrio Pblico de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, como parte de seu acordo de delao premiada. Costa, antecipou VEJA, disse aos delegados da PF e aos promotores que nos governos de Lula e Dilma Rousseff a Petrobras foi usada como fonte de dinheiro com que o PT comprava a fidelidade de aliados no Congresso Nacional. Em depoimento posterior, tambm revelado com antecedncia pelos reprteres de VEJA, Paulo Roberto Costa relatou aos policiais que Alberto Youssef, o doleiro preso que fazia o papel de banco clandestino do grupo, seria capaz de dar ainda mais detalhes sobre o funcionamento do esquema de corrupo e as responsabilidades de cada um dos envolvidos. Nesta edio VEJA publica com exclusividade trechos inditos da delao premiada de Youssef feita na ltima tera-feira: 
      O Planalto sabia de tudo  disse Youssef. 
      Mas quem no Planalto?  perguntou o delegado. 
      Lula e Dilma  respondeu o doleiro. 
     Youssef ocupa uma das celas da carceragem da Polcia Federal em Curitiba, de onde, nas ltimas duas semanas, tem sido retirado e levado  sala de depoimentos. Ele est com a cabea raspada, magro, abatido. Sua rotina consiste em conversar com seus advogados e com os outros trs presos ocupantes de celas prximas. Demonstra ter uma memria prodigiosa nos depoimentos, que podem chegar a durar quinze horas. Consola-se com o fato de ter aceitado o pedido comovido das duas filhas para que recorresse  delao premiada, instrumento jurdico em que um acusado tenta obter penas mais brandas em troca de revelaes, indcios, provas e pistas teis para a investigao. 
     Nos ltimos depoimentos, Youssef disse que Lula participou da montagem do esquema de corrupo na Petrobras e que Dilma Rousseff sabia de tudo quando era ministra-chefe da Casa Civil e, depois, j eleita presidente da Repblica. A sala despojada, a rotina do registro das informaes dadas pelo doleiro, o trabalho disciplinado, quase litrgico, dos delegados e promotores emprestavam  cena uma falsa sensao de normalidade. Mas  explosivo o que foi dito, registrado e anexado ao processo de delao premiada de Youssef. O contedo logo estar nas mos do juiz Srgio Moro, responsvel pelo caso, em que passam a constar como suspeitos um ex e uma atual e, quem sabe, futura presidente da Repblica. 
     Pelo papel de operadores no esquema de corrupo, pela qualidade e quantidade das provas que os depoentes esto entregando e pela acusao no mais genericamente aos governos, mas s figuras de Lula e Dilma, as consequncias do escndalo so difceis de mensurar.  verdade tudo o que Costa e Youssef dizem? Como beneficirios da delao premiada, eles no tm vantagem alguma em mentir. A prpria Dilma aceitou a delao como verdade, a ponto de afirmar em um debate na TV o seguinte:"(...) quando se verifica que houve propina para o PSDB (...)". Portanto, pelo mesmo critrio da presidente, no poder ser surpresa se "se verificar" que Youssef est dizendo a verdade sobre ela e Lula. 
     VEJA publica essa reportagem s vsperas do turno decisivo das eleies presidenciais obedecendo unicamente ao dever jornalstico de informar imediatamente os fatos relevantes a que seus reprteres tm acesso. Basta imaginar a temeridade que seria no traz-los  luz para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever. 


1#3 ENTREVISTA  LUIGI ZINGALES  CAPITALISMO  PARA O POVO
O economista italiano, professor da Universidade de Chicago, critica o corporativismo e diz que facilitar o funcionamento do mercado no  o mesmo que favorecer grandes empresas.
GIULIANO GUANDALINI

H cinco anos, o economista italiano Luigi Zingales publicou o artigo "Capitalism after the crisis" (O capitalismo depois da crise), no qual analisava o aumento do sentimento anticapitalista e das ideias contrrias  competio e ao livre mercado, mesmo nos Estados Unidos. O texto correu mundo sendo elogiado por sua mensagem central, segundo a qual muitos governos esto usando o poder para favorecer grandes empresas, e no para garantir o bom funcionamento do mercado e assim beneficiar os consumidores. As ideias de Zingales, professor da Universidade de Chicago, foram aprofundadas no livro A Capitalism for the People (Um Capitalismo para o Povo). O economista deixou a Itlia, h mais de vinte anos, para fazer carreira acadmica nos Estados Unidos justamente para fugir do capitalismo corrupto de seu pas natal  e que ele v agora avanar na economia americana. Para Edmund Phelps, professor de Columbia e ganhador do Nobel, Zingales "faz parte de um grupo pequeno, mas influente, de economistas que vem a economia americana cada dia mais corporativista e cada dia menos capitalista". Zingales escreveu tambm Salvando o Capitalismo dos Capitalistas (2004), em parceria com o indiano Raghuram Rajan. Em entrevista a VEJA, reconhece semelhanas do Brasil com a Itlia e defende a ideia de que os governos concentrem esforos na educao bsica como a etapa primordial para o avano sustentvel das sociedades capitalistas. 

Depois da crise financeira de 2008, houve um avano do sentimento anticapitalista, em diferentes pases, e uma crtica intensa  desregulamentao dos mercados. Essa reao perdeu fora? 
Acredito que essa onda contrria ao capitalismo e ao livre mercado no tenha perdido intensidade. Em muitos pases desenvolvidos, esse sentimento  ainda mais forte por causa da queda no ritmo de crescimento e tambm do aumento na desigualdade de renda ocorrido nos ltimos anos. Compreendo, em parte, essa reao. Mas, para mim, a questo crucial est no aumento do chamado capitalismo corporativista e de compadrio, um sistema no qual as grandes empresas possuem ligaes muito prximas com o governo e tambm com os congressistas, favorecendo a aplicao de polticas contrrias  concorrncia. Um sistema assim, na minha avaliao, no cria um ambiente que incentive a igualdade de oportunidades e a competio na economia. 

O senhor, em suas anlises, faz uma distino entre polticas pr-mercado e polticas pr-empresas. Para um leigo, ambas soam como a mesma coisa. Qual a diferena? 
 fcil compreender a distino entre os conceitos. Os homens e mulheres de negcios, quando administram uma empresa, procuram aumentar os seus lucros. Isso  natural. O problema est quando usam a sua proximidade com o governo, graas ao seu poder financeiro e  ao de seus lobbies, para impedir o ingresso de novos competidores no mercado e assim lucrarem mais. Os executivos das grandes companhias internacionais so sempre grandes defensores do livre-comrcio quando desejam ingressar em um novo mercado. Uma vez instalados, entretanto, passam a defender barreiras protecionistas. Por isso, para criar um ambiente favorvel ao crescimento e  inovao,  preciso que existam polticas pr-mercado, ou seja, a favor da competio e tendo em vista o interesse dos consumidores, e no pr-empresas. 

O inegvel avano na desigualdade de renda nos Estados Unidos e em outros pases ricos  um problema que precisa ser enfrentado. Qual a melhor maneira de fazer isso? 
Atravs da reduo da desigualdade de oportunidades. Com certeza o principal n no caso brasileiro est na educao. Se duas pessoas tm um bom nvel educacional, h uma grande probabilidade de no existir uma disparidade expressiva  na renda de ambas. A ironia, no Brasil,  que a educao elementar pblica  ruim, e so os mais ricos que chegam s melhores universidades pblicas, uma situao que contribui para aprofundar a desigualdade. A primeira iniciativa que eu adotaria no Brasil, com o objetivo de reduzir efetivamente a desigualdade nas oportunidades, seria aprimorar a educao bsica nas escolas pblicas. Isso vale para outros pases tambm, entre eles alguns desenvolvidos. Nos Estados Unidos, a qualidade do ensino bsico e mdio caiu profundamente nos ltimos anos. Cuidar da educao, e, portanto, agir no sentido de reduzir a desigualdade nas oportunidades,  um passo fundamental para diminuir a injustia social. 

Qual a sua avaliao de polticas tributrias como as defendidas pelo economista francs Thomas Piketty, para quem o imposto sobre os rendimentos dos mais ricos deveria ser superior a 70%? 
Sou contrrio a nveis to elevados de imposto de renda. Em um mundo com liberdade de circulao de capitais e tambm de trabalhadores, no vejo como seria possvel implementar um sistema tributrio assim. Seria bastante difcil p-lo em prtica. No acredito  que seja vivel nem que seja saudvel. Mesmo na Frana o governo do socialista Franois Hollande acabou voltando atrs nessa questo. H muita margem para eliminar brechas no sistema tributrio e torn-lo mais equilibrado sem a necessidade de aumentar as alquotas nessa magnitude. 

Quais so os limites e a natureza das intervenes dos governos quando eles chamam a si a responsabilidade de corrigir as distores do mercado? 
Em primeiro lugar,  preciso haver transparncia. Quanto mais transparente o setor pblico, menores as possibilidades de serem feitos acordos escusos. O problema no est apenas na corrupo. Muito dinheiro pode ser feito pelas empresas prximas do governo e dos congressistas. Existem duas consequncias perniciosas. Em primeiro lugar, ocorre obviamente um desperdcio de recursos pblicos. Alm disso, cria-se um incentivo para as empresas se preocuparem mais em fazer lobby do que em investir em produtividade. Esse, para mim,  o principal problema. Em razo disso, idealisticamente todos os subsdios deveriam ser eliminados, porque estimulam esse tipo de relao entre as empresas e o governo. As polticas pblicas mais saudveis, ao contrrio, so aquelas que reduzem as barreiras aos investimentos e ao ingresso de um maior nmero de competidores.  assim que age um governo decidido a fazer o mercado funcionar melhor. Mas o que se nota  que, quando a concentrao no mercado  excessiva, os governos tendem a adotar polticas que beneficiam um pequeno grupo de grandes empresas em detrimento dos consumidores e da economia como um todo. 

No que diz respeito ao desenvolvimento econmico, qual  o papel essencial do Estado em uma democracia moderna? 
Em primeiro lugar, o governo deve ser um rbitro da economia. Ou seja, deve agir para que a disputa ocorra de maneira limpa e justa. Deve ser o juiz, mas no um dos jogadores. Alm disso, o Estado deve tambm prover uma rede de amparo e proteo social. Acredito que um Estado de bem-estar com boas polticas seja vital para a criao de oportunidades, o que, ao final, acabar incentivando a competio e o aumento da produtividade na economia. 

Existe um tamanho ideal para o governo? 
No acredito que se possa fazer uma avaliao simplesmente medindo o tamanho dos gastos pblicos em relao ao PIB para saber se o Estado est inflado ou no. O fundamental, para o desenvolvimento de uma economia,  que o governo propicie um ambiente favorvel  competio, em vez de criar ainda mais distores e desigualdade de oportunidades. Dos pases escandinavos chegam os melhores exemplos. Eles possuem um Estado de bem-estar notvel, seus gastos pblicos so elevados, mas o objetivo central de suas polticas  proteger os trabalhadores, e no as empresas. Considero importante essa rede de proteo, porque ela contribuiu para manter a economia saudvel e preservar o crescimento a longo prazo. Em outros pases  entre eles, em muitos aspectos, o Brasil , boa parte dos recursos pblicos  usada para ajudar grandes empresrios, por meio, muitas vezes, da concesso de subsdios. Portanto, o tamanho do Estado em si  um indicador insuficiente para definir sua adequao.  preciso verificar se ele cumpre sua funo de estimular a competio, se age em benefcio do mercado, e no apenas de algumas grandes empresas. 

O que torna um imposto bom ou ruim? 
Os tributos tradicionais, como aqueles sobre o consumo e sobre a renda das pessoas e das empresas, impactam negativamente o rendimento e desestimulam os investimentos. So os impostos ruins. Existem outros impostos, em contrapartida, os "pigouvianos" (em referncia ao economista ingls Arthur Pigou, morto em 1959), cujos efeitos so positivos. Essas taxaes visam a corrigir as distores e imperfeies do mercado, como  o caso de tributar fortemente as indstrias poluidoras ou cujos produtos fazem mal  sade. At um certo limite,  bvio, impostos sobre combustveis e cigarros so, portanto,  bons impostos, porque fazem as pessoas assumir os custos decorrentes de suas atividades individuais ou hbitos que prejudicam a sociedade. 

No seu pas natal, a Itlia, todos concordam que reformas precisam ser feitas para tirar o peso excessivo do Estado dos ombros das pessoas. No Brasil tambm. Mas tanto aqui como l nada muda. Por qu? 
Na Itlia, existe uma espcie de acordo tcito entre as diversas correntes polticas. De um lado, as esquerdas, em nome dos trabalhadores, so contrrias s reformas porque, afirmam, haveria perda de direitos e aumento do desemprego. Por outro lado, os empresrios, sobretudo aqueles com relaes estreitas com o governo e os parlamentares, so contrrios a reformas que representem a entrada de novos competidores no mercado. No podemos nos esquecer de que o nepotismo foi inventado em Roma, na Idade Mdia, porque a Igreja, que controlava o governo, no queria saber de concorrentes  especialmente se fossem mais competentes. A oposio entre sindicatos e empresrios, portanto, quase sempre no passa de jogo de aparncias. As duas partes, no fundo, sustentam-se por objetivos comuns. No final, ganha apelo o discurso anticapitalista e anticompetio. Assim, fica difcil aprovar as reformas que beneficiariam a maioria da populao. No Brasil no  muito diferente. Por essa razo, eu, particularmente, acreditava que Marina Silva, por sua origem na esquerda e sua compreenso do funcionamento do mercado, teria mais chances do que a presidente Dilma Rousseff de fazer a defesa das reformas e v-las aprovadas. 

Os pases europeus atingidos pela crise que conseguiram fazer algumas reformas e ajustes para se tornar mais competitivos esto salvos? 
Temo que no. Sem reformas mais profundas, vai se tornar insustentvel a economia de pases como a Grcia e Portugal, e mesmo a Espanha e a Itlia. Parafraseando Herbert Stein (economista americano, morto em 1999), se algo  insustentvel, algum dia no se sustentar. 

O senhor demonstra preocupao com o crescimento do sentimento anticapitalista nos Estados Unidos. No se trata de algo cclico, como consequncia da crise financeira? 
No resta dvida de que a crise deu fora ao discurso anticapitalista. O aumento da desigualdade tambm contribuiu para que surgissem movimentos como o Occupy Wall Street. O outro lado da moeda est no Tea Party, cujos seguidores combatem o excesso de interveno do governo na vida econmica, enquanto o Occupy Wall Street se coloca contra o excesso de intromisso das grandes corporaes no funcionamento do governo. Esses dois grupos antagnicos, sou obrigado a concordar, esto, cada um  sua maneira, certos. Por mais simplista que parea,  evidente que ser preciso encontrar uma sada entre o governo inflado e ineficiente e o modelo em que as grandes companhias do as cartas. O preocupante, de qualquer maneira,  o avano do capitalismo corporativista e de compadrio nos Estados Unidos. Como italiano, conheo os riscos que isso acarreta. Os Estados Unidos esto ficando cada vez mais parecidos com a Itlia  e infelizmente no falo da comida. 


1#4 MALSON DA NBREGA  ELUSIONISMO ELEITORAL
     Nenhum partido consegue, como o PT, usar propaganda desonesta, manipulao de fatos e explorao de inverdades para influenciar eleies.  moda de Goebbels, os petistas repetem mentiras  exausto, at que elas virem verdade para os menos informados. Tal qual Stalin, recorrem a mentiras para demolir seus adversrios.  o poder a qualquer custo. 
     Na campanha que terminou, dois captulos desse ilusionismo, entre tantos, merecem ser esquadrinhados: 1) a afirmao de que o governo FHC quebrou o pas trs vezes; 2) o autoelogio quanto  taxa de desemprego, que  a menor da histria, mas tem pouco a ver com o atual governo. 
     Um pas quebra quando se torna incapaz de pagar a dvida externa. Os credores sofrem um calote ou aceitam perder parte dos emprstimos. Foi assim na Grcia em 2012. E no Brasil e em outros mais de trinta pases que quebraram na crise de 1982, quando a moratria do Mxico causou a suspenso do crdito para naes devedoras.  
     No governo FHC, vivemos trs crises cambiais, que poderiam ter provocado a insolvncia do pas no fossem as medidas corajosas do governo e o recurso ao FMI. Essas aes preservaram o Plano Real e a conquista da estabilidade.  o contrrio do que dizia a propaganda do PT. 
     Como em toda reao a ameaas na economia, h um preo a pagar: a reduo da atividade econmica e do emprego. Perde-se um pouco para manter o todo, particularmente os programas sociais. Numa doena mais sria, somos obrigados a tomar remdios e a diminuir atividades. O PT d a entender que o tratamento de sade visa a infligir sofrimento ao paciente, e no  sua cura. 
     A campanha petista diz que FHC ps o Brasil de joelhos perante o FMI. Falso. O FMI, do qual somos fundadores, tem a funo, entre outras, de prestar assistncia financeira a pases em dificuldades momentneas, que precisam do apoio enquanto  adotam medidas corretivas. Recorrer ao FMI  um direito de que se valeram at naes ricas, como a Inglaterra. Sem o FMI, Lula poderia ter herdado um pas quebrado em 2002. A ampliao dos programas sociais, de que se vangloria o PT, no aconteceria. 
     Quanto ao baixo desemprego, sua principal origem no est na ao do governo, mas na estagnao da fora de trabalho, que  constituda das pessoas ocupadas e das que procuram emprego. A taxa de desemprego  a relao entre os que no encontram trabalho e a fora de trabalho. 
     Se a fora de trabalho for de 100 milhes de pessoas e 5 milhes estiverem desempregadas, a taxa de desemprego ser de 5% (nmeros prximos da realidade). Suponha que esse contingente diminua para 99 milhes e que as admisses e demisses resultem em 900.000 vagas a menos. Mesmo assim, a taxa de desemprego cair para 4,9%, porque foi menor o ritmo de queda da fora de trabalho. 
     A recente estagnao ou reduo da fora de trabalho decorre de razes demogrficas (menor ritmo de crescimento da populao em idade de trabalhar), do fato de os jovens de 18 a 24 anos ficarem mais tempo na escola (o que  bom) e de desistncias de procurar emprego. Na verdade, o mercado de trabalho tem-se deteriorado. A gerao lquida de emprego vem diminuindo. Segundo dados do Ministrio do Trabalho, de abril a agosto a indstria de transformao demitiu mais do que admitiu. 
     Como dizia Roberto Campos, estatsticas, como o biquni, escondem o essencial. De fato, as estatsticas do emprego escondem uma trajetria de piora do mercado de trabalho, que  consequncia da combinao de estagnao econmica com inflao alta. Tal estagnao veio do fracasso da poltica econmica, das incertezas derivadas da excessiva interveno na economia e da resultante queda da taxa de investimento. Ningum pode torcer por isso, mas em breve deve acontecer a elevao da taxa de desemprego. Para a sorte do PT, o preo da m gesto vai aparecer apenas depois das eleies. A m herana cair no colo de quem tiver vencido a corrida presidencial. 
     Os truques dos marqueteiros do PT conseguiram simplificar questes complexas, desconstruir candidatos de oposio e amedrontar boa parte do eleitorado. Infelizmente, a realidade vir. Estamos longe do colapso, mas muito perto de notcias desagradveis na economia e no emprego. 

MALSON DA NOBREA  economista


1#5 LEITOR
ESCNDALO DA PETROBRAS
Diante do exposto na reportagem "Youssef: doao era propina" (22 de outubro), ficou claro que tivemos uma eleio presidencial fraudada em 2010, pois contribuies para campanhas no seguiram o que seria chamado de justo. 
GILSON SUCKEVERIS 
So Paulo, SP 

So estarrecedoras as denncias de corrupo que nos apresentam os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. No votei em Dilma, mas, quando ela foi eleita, em 2010, torci para que fizesse um bom governo, afinal uma mulher na Presidncia do Brasil entraria para a histria. Pena que ela no soube aproveitar a oportunidade de deixar um legado digno ao pas. O que vemos, cada vez mais,  um mar de lama despejado na imprensa. Toro para que o Brasil tenha um presidente que honre o seu cargo e que queira entrar para a histria como o administrador que trabalhou em funo do pas e de seu povo. 
MOEMA FONSECA DIAS SOUZA 
Belo Horizonte (MG), via smartphone 

Entender as denncias dos delatores simplesmente como casos de corrupo esconde o que realmente acontece nas licitaes promovidas pelo poder pblico no Brasil. H, por trs, o que poderia caracterizar o crime de concusso. Ou as empresas concorrentes aceitam pagar propina ou no ganham nenhuma concorrncia, essa  a verdade. Lamentavelmente, essa extorso est implcita nas licitaes, o que no exime a empresa que a aceita de ser responsabilizada criminalmente. Focar a origem (extorso) ajudaria muito a diminuir os desvios de dinheiro pblico, porque permitiria a participao de empresas honestas, possibilitando a reduo no custo das obras e servios. 
JESIEL EUSTQUIO DA CUNHA 
Natal RN 

Parafraseando aquele que acredita ser o dono do Brasil, "nunca antes na histria deste pas" os cofres pblicos foram to assaltados, por tanta gente e por tanto tempo. So doze anos de um governo corrupto, que, no tendo defesa, quer nos fazer crer que  assim mesmo... todos roubam. No, no aceitamos. Quem est no poder deve zelar pela tica e no admitir desvios. Cabe ao cidado decidir se realmente  assim mesmo ou se quer respeito ao que  nosso. Nas urnas, a sua voz ser ouvida. 
GLACIANE FIGUEIREDO DIAS 
Feira de Santana, BA  

Chega! Sou uma cidad brasileira, me de famlia, cansada de ser governada por um partido corrupto indigno de confiana.
LETICIA MARIA LUIZA MARQUES 
Belo Horizonte, MG 

J.R. GUZZO 
Quando esta edio de VEJA j estiver em circulao, os eleitores brasileiros estaro a poucas horas de ir s urnas.  um momento crucial. O mais assustador, no caso deste segundo turno,  o baixo impacto dos escandalosos fatos  que, infelizmente, so muito mais numerosos do que aqueles trazidos por J.R. Guzzo no artigo "Beto & Paulinho"  na conscincia dos cidados. Tapam os olhos diante do mar de lama, fecham os ouvidos para propostas srias e factveis de governo, do de ombros quando se tenta elevar o nvel do debate. A verdade  esta: a eleio no Brasil  hoje um circo. H cinco anos, poderamos dizer que s faltavam os palhaos, mas nem disso carecemos mais, bem representados que somos por deputados como Tiririca. Temos um partido, o PT, que est alojado no poder. Ele quer se confundir com o Estado e chamar de "golpe" o movimento em direo  alternncia, que  to prprio da democracia, e que por isso mesmo parece incomod-lo. Dilma Rousseff e sua trupe, que juram defender a "mudana",  que mantm nosso pas atrasado, deficitrio, corrupto. Brasileiros, votem conscientemente pelo fim da banalizao da instncia mais sria da vida cvica, pelo retorno da dignidade da representao poltica, por um futuro de profissionalismo no trato com a coisa pblica. Espero estar falando com os cidados de um pas que optou por mudar de verdade. 
GABRIEL CORDEIRO MARTINS DE OLIVEIRA 
So Paulo (SP), via smartphone 

EMPRESAS 
Diferentemente do que afirma a nota "De volta" (Radar, 22 de outubro), a Odebrecht no tem "executivos implicados na Operao Lava-Jato". 
SRGIO BOURROUL 
Diretor de Comunicao da Odebrecht S.A. 
Por e-mail 

DISPUTA PRESIDENCIAL 
Brasileiros que vo s urnas no domingo: saibam que o Brasil precisa de nova liberdade, mesmo que tardia ("Uma viagem  mente dos indecisos", 22 de outubro). 
JOS RENATO NASCIMENTO 
So Pauto, SP 

Quando VEJA estiver circulando na ltima semana de outubro, j teremos definido  depois de doze anos de devaneios e aventuras, depois de insistentes arremetidas a um socialismo fracassado  se o eleitor escolheu o caminho que leva s grandes democracias de Primeiro Mundo ou se preferiu a estagnao da parceria com a esquerda mais retrgrada da Amrica Latina. 
JAIR GOMES COELHO 
Vassouras, RJ 

LYA LUFT 
Maravilhosa e lcida crnica de Lya Luft ("Somos a soma de nossas escolhas", 22 de outubro). Temos de saber que democracia  isto: talvez no nos afete hoje, mas o que decidimos hoje afetar o que ocorrer amanh. Temos todos de pensar como uma nao, e no como donos de botequins do sculo XX. Precisamos acreditar que poderemos ser muito melhores que isso. Obrigada, Lya, por mostrar-nos, a ns brasileiros, que, mesmo tendo decidido pela mudana ou continuidade, devemos nos imbuir do status de patriotas e fazer mais pelo pas que  o Brasil que queremos. 
MARLENE BANDEIRA DE MELLO 
Rio de Janeiro (RJ), via tablet 

As palavras de Lya refletem a ansiedade do brasileiro por um futuro melhor e representam a opo entre o caminho certo e o errado. 
KLEBER C. TOSCAMO 
Joo Pessoa (PB), via tablet 

CARLOS NOBRE 
Sou sargento da Marinha, trabalho em um navio de assistncia hospitalar aqui na regio amaznica, passo a maior parte do tempo sobre as guas e fico lamentando as dificuldades das famlias que vivem essa escassez na Regio Sudeste. Realmente, de acordo com o climatologista Carlos Nobre na entrevista "Vidas secas no Sudeste" (22 de outubro), a elevao do preo da gua diminuiria consideravelmente o desperdcio. Mas, alm disso, devemos investir em campanhas, remodelar nossos livros didticos etc. Em suma, vamos quebrar o paradigma "moro num pas tropical, abenoado por Deus...". Temos de nos reeducar. 
JOS FLVIO GOMES DA CRUZ 
Manaus (AM), via tablet 

Excelente entrevista com o climatologista Carlos Nobre. Discordo apenas de sua opinio a respeito do que est em curso: tropicalizao das regies subtropicais. Ao considerar tal questo, creio que o entrevistado tenha acesso a outras grandes modificaes e transformaes que esto em andamento no planeta Terra e talvez sejam informaes de grande relevncia para compreender o fato. No basta explorar a atuao de massas de ar para afirmar tal tropicalizao. Causou estranheza o entrevistado desconsiderar a obra de transposio do Rio So Francisco e no citar consequncias de uma obra de completo desrespeito com o meio ambiente. O Velho Chico ainda est vivo, mandando recado. 
SUZANA MENDEZ MACHADO VIEIRA 
Planaltina, DF 

Preocupante a entrevista com o climatologista Carlos Nobre. Mas, se o prximo presidente da Repblica no implantar um governo que realmente pense no Estado brasileiro, o adjetivo dever ser mudado para assustador. Precisamos de aes de curto prazo e de planejamento a mdio e longo prazos, urgentemente, em todo o Brasil. 
GILBERTO COSTA RIBEIRO 
Recife, PE 

EBOLA 
Muito interessante e esclarecedora a entrevista com o especialista em biossegurana e conteno de epidemia Gavin Macgregor-Skinner, na reportagem "O vrus do pnico" (22 de outubro), sobre o ebola. De maneira bastante segura, informa sobre a seriedade do assunto e a necessidade de educao, e no preconceito e estigmatizao da doena, como j ocorrido em casos sobre outros vrus. 
THIAGO LOPES BRANT 
Montes Claros, MG 

Ningum em s conscincia admite que a vida de um rico vale mais do que a de um pobre. Basta um olhar sagaz para descobrir o destaque e o consequente impacto noticioso quando os fatos  sucessos e, sobretudo, tragdias  afetam os bem-sucedidos mundo afora. Um acidente areo ou de carro em Bangladesh, para conseguir chegar  imprensa internacional, precisa envolver centenas de indivduos. Uma tragdia com dez cidados parisienses desperta ateno. E assim se d com assaltos, assassinatos e tudo o mais. Convivemos com essas diferenas e no percebemos. Afinal, so critrios de notcia presentes nas agncias de notcias que se pautam, por sua vez, no incremento do lucro. O grave  quando essa demarcao entre ricos e pobres atinge a sade pblica. Ainda que o ebola tenha surgido pela primeira vez, em 1976, no Sudo e na Repblica Democrtica do Congo, somente agora, quando ele ameaa pases ricos, as organizaes de sade parecem investir, com maior frenesi, em novas medidas. 
MARIA DAS GRAAS TARCINO 
Teresina, PI 

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao, VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP: Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at 3 quarta-feira de cada semana.


1#6 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br 

RADAR
LAURO JARDIM
LIVROS
Paulo Coelho vai cruzar mais uma fronteira - a da Armnia. O Alquimista e Manuscrito Encontrado em Accra sero publicados no pas em 2015. www.veja.com/radar 

COLUNA 
REINALDO AZEVEDO 
FASCISTOIDES 
O PT est de volta  sua natureza: a pregao do dio. E, se  de dio que se trata, nada melhor do que uma plateia de ditos 'artistas e intelectuais' para que tal sentimento possa aflorar com toda a sua boalidade. www.veja.com/reinaldoazevedo 

ESPELHO MEU 
LCIA MANDEL 
PERFUMARIA 
Cada vez mais pessoas tm alergia a fragrncias, seja de pele, seja respiratria. Isso ocorre, entre outros fatores, por causa da exposio aumentada aos cosmticos. www.veja.com/espelhomeu  

VEJA MERCADOS 
GERALDO SAMOR 
VAREJO
Os ltimos nmeros do Carrefour no Brasil esto levando os investidores a questionar dois consensos: o primeiro, que a empresa est dormindo no ponto; e o segundo, que o Grupo Po de Acar  o padro de eficincia do setor. www.veja.com/vejamercados 

CIDADES SEM FRONTEIRAS
BIG DATA E PERFIL POR CEP
Dize-me onde moras e eu te direi quem s.  o que promete (e entrega) a empresa de anlise de dados Esri. A companhia desenvolveu um banco de dados sobre a populao americana baseado em endereos. Funciona assim: no site do projeto, digita-se um CEP qualquer para consulta e tem-se como resultado uma srie de informaes, como a mdia de renda e de idade dos moradores da rea. Para empresas em busca de um pblico-alvo preciso,  um prato cheio (a Esri ganha dinheiro justamente identificando oportunidades de mercado). www.veja.com/cidadessemfronteiras 

SOBRE IMAGENS
MARTHA HOLMES
Durante quatro dcadas, a fotgrafa americana Martha Holmes realizou trabalhos para a Life. Ela foi contratada aos 20 anos e tornou-se uma das poucas mulheres da poca mais gloriosa da revista. Primeiro, ficou cinco anos na sucursal de Washington e depois seguiu para Nova York, onde permaneceu at o fim da vida, em 2006. Martha se destacava pela versatilidade na cobertura de diversos temas, mas a relao com os retratados foi um de seus pontos fortes. Um bom exemplo so as fotos do pintor americano Jackson Pollock, feitas em 1949, na casa do artista. As fotografias viraram as imagens mais marcantes de Pollock, a ponto de se transformarem em selo postal nos Estados Unidos. www.veja.com/sobreimagens 

NOVA TEMPORADA
BENEDICT CUMBERBATCH
Famoso por interpretar o detetive criado por Arthur Conan Doyle na srie Sherlock, Benedict Cumberbatch foi homenageado pelo Museu Madame Tussaud, de Londres, com uma esttua de cera. Representantes da instituio disseram que a quantidade de pedidos para uma esttua do ator era enorme. No dia em que foi feito o anncio,  o site do museu quase saiu do ar pela quantidade de visitas que recebeu. www.veja.com/novatemporada 

* Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


